Que merda, digo, maravilha..

Procurei um lugar para sentar, só havia perto do bar, queria que fosse em algum canto mais afastado, não queria chamar ainda mais a atenção.  Fiquei entrelaçando a ponta dos meus  cabelos com o dedo, levemente distraída, mas ainda assim  observando discretamente o que me cercava,  não sou nenhum animal selvagem, mas meu instinto ainda da pro gasto. Me perdi em meus pensamentos e ruídos externos por alguns segundos, como se estivesse entrando e saindo de um transe.  Me deparo com a pergunta, como eu parar ali? O que aconteceu antes de eu começar a vagar por ai sem rumo? O que estou esquecendo?

É como se eu estivesse sonhando ou acabasse de sair de um.  Não sei e nem sinto que perdi algo importante, mas
ao mesmo tempo sinto um vazio em mim, como se perdesse parte da  minha história. Minha cabeça dói conforme me forço a lembrar, como se fosse um aviso para eu parar. Talvez não devesse. Talvez não quisessem.  O pouco que me lembro é que ia  em um evento com alguém. Nada a mais. Nada além. Nada.

Me debruço em cima do balcão, incomodada por ter esse vácuo em minha mente. Termino de refletir e concordo que o único caminho agora é começar uma nova jornada, sei quem sou, mas não tenho mais um passado, não um concreto e que possa voltar. Estava tudo se organizando em minha mente, minhas novas metas quando sinto algo estranho, alguém me cutuca como se eu fosse um animal jogado e alguém quisesse saber se estou morta ou não.

Levanto a cabeça e fecho a cara na esperança de afugentar  o "ser" desprezível que teve a audácia de me incomodar, me viro lentamente e me deparo com um muro, tal "ser" era mais  alto que eu imaginava e tive que olhar de baixo para cima para o encarar, ele da um sorriso sarcástico como se eu estivesse submissa, o mais inferior possível a ele. Senti que devia me levantar para não ficar tão a baixo dele, como parecia.

O que você quer? - eu perguntei.
Depende.. O que uma pessoa faz com uma cadeira? -Ele falou ironizando.
Sentar. -Fiquei confusa, pois já estava nela.

Olhei para o lado e as cadeiras que estavam do meu lado antes vazias, agora haviam vários caras me encarando, como se eu não devesse estar ali. Uma mão volta a me cutucar. Olho e era o mesmo "ser" que me incomodava antes. Ele me encarava e parecia estar irritado por estar em pé.

E então? -Falou impaciente.
Então o que cara? -Também estava ficando incomodada.
Vai sair ou não?
Você estava ai dormindo, vá para casa ou algum lugar sem ser um bar.
Está me atrasando com sua lerdeza.
-Ele  realmente estava impaciente.

Fechei os olhos e respirei fundo. Suspirei e abri  os olhos.
Sério mesmo?
Sério que vai "TENTAR" me expulsar daqui? Sendo que vim muito antes, o lugar estava vazio. Não vai nem ao menos procurar outro lugar ou consegui uma outra cadeira pra  tu sentar?

Ele fica em silêncio por alguns segundos e me encara. Dizem que quando alguém te encara por muito tempo é porque quer te beijar ou matar, com certeza não é a primeira opção. Até porque eu prefiro que me mate a ter que o beijar. Ele continua me encarando até que se aproxima de mim, bem perto, muito perto mesmo. Fiquei  torcendo pra não ser a primeira opção e que ele não percebesse que estava nervosa por parecer a primeira opção. Ele respira ofegante, como se fosse um animal raivoso tentando manter seu território do inimigo, como já esperava pelo pior, me mantive firme e forte, pois pelo menos minha honra e lugar estariam garantidos.

Poucos centímetros nos separavam, apenas nossas respirações se tocavam. Eu senti um calor em volta de mim, parecia muito uma espécie de energia. Me fazia bem, mas também sabia que só começou depois dele ficar tão perto. Então logo a repudiei. Não podia me mexer, muito menos fazer movimentos bruscos. Não sabia o que ele iria fazer.

Algum problema senhorita? - Disse o dono do bar.
Sim, esse cara está me incomodando, vim pra cá primeiro e ele está tentando me expulsar, o lugar estava vazio antes, você mesmo viu. - Eu disse com esperança dele tirar aquele animal de perto de mim.

O idiota parecia respeitar o dono do bar, pois foi só ele chamar no canto que ele foi. Ficaram conversando por alguns minutos, até parecer uma discussão. Tudo isso por causa de uma cadeira..
Que bela aventura você está começando a ter senhorita Caty, que merda.. Digo, maravilha..
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