Uma bêbada sem rumo

Confusa estou. Como sempre estarei.
Perdida em um mar na imensidão de pensamentos importunos mergulho sem cessar ao chão mais próximo, cujo qual estava com várias folhas secas do outono, fiz bem em ter as juntado mais cedo.

 O dia amanhece e ainda estou sob elas, observando o céu mudar assim como tudo a sua volta. Apenas eu continuo aqui. Não consigo ir para trás e nem para frente. Talvez eu estivesse presa aqui.
Me levanto com um desprazer que chega a deixar minha boca amarga e com um leve nó. Não me sinto calada, apenas sem vontade para me expressar. Com um semblante neutro e repleto de indiferença que faria qualquer um dar meia volta ao cruzar meu caminho.

Procurei beber um pouco de água, mas não me satisfazia, com isso, vasculhei todas as minhas garrafas até encontrar alguma com vinho. Para não ficar com a barriga vazia consegui alguns doces, ambos conseguiam  me preencher quando me sentia assim. Vazia. Aos poucos fui me contaminando por uma falsa felicidade. Eu sabia que não se passava de uma ilusão, mas era o que eu precisava.

E assim sai vagando sem rumo com uma garrafa e alguns doces em uma sacola. Cada gole era apreciado como se fosse raro e único, talvez fosse, pois não havia garantia de que conseguiria outra em curto prazo, eu poderia ter uma recaída a qualquer momento. 

Me sentei a beira de um lago e me refresquei, não estava tão quente o dia, mas ainda assim era algo  prazeroso. Afirmava para mim mesma que se deixasse a água cair levemente de minhas mãos, me curaria e espantaria qualquer que fosse o que não me fizesse bem. Observo o meu reflexo e vejo o quão  fracassada estou. Sem rumo, porém repleta de sonhos, cujo os quais se perdem em um limbo infinito. Apesar de saber exatamente por onde eu caminhava, eu ainda me sentia perdida, talvez realmente estivesse. Estou perdida!

Quando afirmei isso sussurrando para mim, meu reflexo simplesmente sorriu. Não parecia estar debochando,  mas um sorriso indicando que estava tudo bem. Encarei a garrafa e me levantei. Fiquei alguns segundos encarando o lago para ter certeza de que era mágico ou se foi algo da minha mente fértil e alcoolizada. Quem sabe. Não me importo.

Continuei a vagar por um tempo até encontrar uma taverna local. Faltavam quatro ou cinco dedos para minha bebida acabar. Entrei sem me importar muito com quem estava lá, mesmo estando sempre alerta para imprevistos. Um cara que trabalhava lá disse que não poderia entrar no bar com mercadoria externa, que eu deveria beber tudo ou me retirar do local. Eu não me lembrava de ter levado dinheiro para comprar uma nova.  Bebi o que faltava em um único gole sem pensar duas vezes. Senti como se estivesse afundando em um mar e bebendo sua água até secar completamente, quase fiquei sem ar, mas resisti.

Naquele momento eu era a atração do local, senti que vários olhares se voltaram para mim, mas havia um certo olhar, que apesar de não ver de onde era, senti que tinha algo de diferente nele. Nunca me importei com a aparência alheia, desde que não me incomode.Meus pensamentos foram interrompidos com o dono do local, pelo menos ele parecia ser pela postura, me dizer que estava surpreso, pois eu não era como as outras garotas e que fui a primeira a pisar em sua taverna, pelo menos a mais decente. Sorri e disse que talvez fosse mais podre que a maioria que estivesse naquele ambiente. Olhei em volta e vi que não havia mulheres, pelo menos não até onde minha vista alcançava. Com isso, ele me ofereceu uma bebida por conta da casa e que seu eu precisasse de algo,  bastava citar seu nome ou ir diretamente a ele. Imaginei como seria se eu realmente fosse uma boa garota..

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